Ao ler O efeito Marina, um relato pessoal de Alfredo Sirkis sobre o processo eleitoral de 2010, pude reviver cada momento desse magnífico período que partilhamos com milhares de militantes verdes, colaboradores, simpatizantes e marineiros de todo o país. Foi uma experiência fantástica, enriquecedora, mas nem por isso fácil. Enfrentamos máquinas político-partidárias poderosas, que há tempos estavam anunciadas como as únicas na disputa, ao mesmo tempo em que nos deparávamos com as anomalias da legislação eleitoral brasileira. Foi um desafio complexo. Porém, a despeito das diferenças abissais entre minha campanha e a de meus principais concorrentes, pude perceber a ousadia do povo brasileiro, que me honrou com um terceiro lugar, com quase 20 milhões de votos, levando o Brasil a uma escolha em segundo turno. Alfredo rememora suas experiências e os passos dessa nossa coragem. Desde o momento em que me fizeram o convite de filiação ao Partido Verde, passando pela decisão da candidatura à Presidência, pela campanha eleitoral de 2010 propriamente dita, até a importante manifestação dos verdes pela independência no segundo turno, o livro reúne os artigos postados no blog de Sirkis, intercalados com resoluções partidárias e notícias de jornais. Temperado pelo calor do debate público daquele momento, sua narrativa nos faz mergulhar novamente nas grandes provocações do processo político do ano de 2010. Alfredo Sirkis 10. Com o olhar ao mesmo tempo crítico e autocrítico que lhe é peculiar, Alfredo não deixa de revelar momentos surpreendentes, como sua própria incredulidade acerca de minha filiação ao PV, depois transformada em potente esperança, que foi decisiva para levar à frente, junto com outras pessoas igualmente esperançosas, a proposta de um Brasil sustentável, tão carinhosamente acolhida por milhões de brasileiros. Os textos apresentados trazem ainda a importante discussão sobre a necessidade de uma reforma política no país. Assim, ao revisitar o passado próximo, tornam-se uma leitura importante para dialogar com o presente e com uma visão de futuro embalada na proposta de um novo jeito de fazer política, com ética e sustentabilidade. A ideia de uma nova forma de fazer política foi uma das propostas centrais da plataforma de minha candidatura presidencial, e continuará sendo defendida, agora dentro do partido e na sociedade civil. O efeito Marina relembra também os compromissos e os desafios da Direção Nacional do PV para efetivar uma revisão programática - em conjunto com a democratização do partido —, que me foram anunciados como um movimento em curso, quando convidada a ingressar na legenda, com a qual tenho uma ligação histórica. A democratização e a atualização do programa dos verdes brasileiros, que vejo como uma espécie de antecipação da reforma política no interior do PV, são cruciais para o diálogo com os milhões de eleitores, particularmente os jovens, que voltaram a sonhar com uma política transformadora, democrática, ética, sustentável e voltada para o século XXI. Ao mesmo tempo, podem modernizar o partido, capacitando-o para tomar parte nas novas lutas socioambientais que virão.